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O escritor na era da Inteligência

Menos inteligência e mais inspiração



Devo confessar que tempos desafiadores se mostram no horizonte. Nada é fácil para nós, escritores, pois a cada nova atualização da inteligência artificial a essência do nosso próprio trabalho é posta em dúvida.


Em um primeiro momento, confesso que fiquei feliz por finalmente o escritor contar com uma ferramenta digital. Ora, se o fotógrafo, há muitos anos, consegue tirar um milhão de fotos e usar um software para escolher e tratar a melhor, se o videógrafo, já há muito tempo, conta com ferramentas de edição, perguntava a mim mesmo, qual o problema também do escritor confiar em ferramentas digitais para editar, melhorar e quiça escrever o próprio texto? Problema nenhum!


Gosto bastante de utilizar a inteligência artificial para melhorar textos, sugerir novas ideias, olhar as palavras sobre uma nova perspectiva.


Gosto até não gostar mais, enjooei. Veja, não quero ser a pessoa pessimista, que grita aos sete ventos que estamos perdidos perto da inteligência artificial, mas… também não dá pra ser ingênuo. O fato é que a IA não para, não tem intenção de parar e está cada vez melhor.


Antigamente… (no ano passado) eu era contratado para escrever pequenos textos, como anúncios, discursos, sites. Mas hoje, mesmo quando raramente mostram interesse em fazer um orçamento, não fecham. Eu mesmo não fecharia! Por que deveriam pagar a mim e não assinar um plano de IA para escrever todos os textos? Não faz o menor sentido! Estes textículos, geralmente são para conteúdo postado em rede social e a rede social demanda muito conteúdo. É humanamente impossível produzir tantos tópicos assim… e quando não é mais humanamente possível fica artificialmente viável.


O que quero dizer é que a demanda pela novidade, por novas imagens, novas falas, novos textos, está demais. É a novidade pela novidade. É o olhar de 1 segundo sobre cada novo texto. É a velocidade que importa… e nenhum texto humano fica bom na velocidade. Porque a inspiração precisa de respiro. Inspira… expira… inspira…

E o que noto é que tá tudo ficando chato demais, igual demais, sem alma demais. É a venda pela venda, a transformação pela transformação, o conteúdo por ele mesmo. E o escritor aspirante, o sonhador, deve retornar ao seu reduto artístico, fazer um caminho de volta ao coração.


Uma vez li uma frase que ficou ecoando por semanas: "o que não faz sentir não faz sentido" E a IA não faz sentir. Ela não sabe o que é legal, o que é emocionante, o que toca. Ao menos ainda não. Porque acho que ela vai saber, a IA não para! Assim como ela tambémvai conseguir fazer um filme sozinha, ter a ideia, roteirizar, dirigir e produzir as imagens. Capaz até de abrirem uma categoria no Oscar: Melhor filme de IA, julgado por uma IA.


E aí eu te pergunto: o que vale mais, a inteligência ou a inspiração? Na era da inteligência artificial, à nós, na condição humana, cabe menos inteligência e mais inspiração.


*Texto escrito sem a ajuda de IA.

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