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Qual o sentido da vida?



Em busca de sentido de Viktor E. Frankl é um daqueles livros que temos que ler de tempos em tempos para nos lembrar da nossa humanidade.


Querido bibliófilos e queridas bibliófilas, bem-vindos ao canal LER É VERBO, o canal de leitura, escrita e convencimento. Hoje vamos falar sobre um livro FANTÁSTICO. Olha… se você nunca leu esse livro, para tudo o que está fazendo e vá comprá-lo. Ele vai ser bom para a sua vida.


Deixa eu te contar uma história de como cheguei a este livro. Há um tempo eu comprei o ferramentas de Titãs de Tim Ferris, livro que entrevista diversas pessoas, em uma variedade de áreas, com perguntas desafiadoras. E o que fiquei surpreso é que dos livros que essas pessoas indicam, uma grande parte citava O HOMEM EM BUSCA DE SENTIDO. Pronto, fiquei curioso. Por que tanta gente fala dessa obra?


Eu comprei uma versão adaptada para leitores jovens, acho que é uma versão mais curta. Essa versão tem o prefácio do John Boyne, o cara que escreveu O MENINO EM PIJAMA LISTRADO, um best-seller internacional que depois virou filme. Eu quero comprar a versão completa em português, para ter em casa, pois, como disse, esse livro deve ser lido ao menos uma vez por ano.


E qual a história dele? Bem, Viktor era um psicólogo em Viena. Ele chegou a trocar correspondências com Freud. Ele desenvolvia algo chamado de logoterapia, ainda embrionário. Mas ele também era judeu. Ele, sua mulher e seus pais foram presos e levados aos campos de concentração nazista. Durante três anos ele ficou preso e foi levado a quatro campos diferentes. Cara… essa parte do livro é muito triste. Como o ser humano consegue fazer isso? É um período muito triste e sombrio da história. Bom, ele conta essa parte e mostra diversos episódios em que você acha que não tem como piorar… mas sempre tem. Ali, nessas histórias, ele vai mostrando a natureza humana. A real natureza, pois é tirado tudo de você. Você não é mais uma pessoa, com sonhos, com família, com desejos, direitos e vontades. Você é um número. O que mais lhe resta?


É aí que Viktor entra e diz que a única coisa que não consegue tirar de você é a liberdade de escolher suas ações em determinada circunstância. Essa é a base da logoterapia.


A logoterapia é considerada uma terceira escola da psicologia vienense, ao lado da psicanálise de Freud e da psicologia individual de Adler. Ela se baseia na busca de sentido. As duas palavras chaves são liberdade e responsabilidade. Vamos entender um pouco mais. O indivíduo, quando imbuído de um significado na vida, deve reagir à vida. O primeiro ponto é não pensar sobre o que você espera da vida, mas sim o que a vida espera de você. A vida está constantemente te questionando, “E agora? Vai fazer o quê? E agora?” A vida traz situações para você resolver e suas atitudes perante essas respostas é que definem quem você é.


Agora justifica o campo de concentração. Você está em um ambiente horrível, a vida está lhe impondo um sofrimento extremo, uma falta de liberdade, de humanidade absurdas, mas você ainda é responsável pelas respostas que deve dar à vida. Qual o caminho você quer trilhar? Sempre se deve trilhar o caminho da virtude. Uma pessoa não tem o direito de fazer o mal, mesmo que a ela tenha sido feito o mal. Mas como responder à vida? Com sentido. É o sentido que vai te dar a força necessária para superar e para responder qualquer questionamento.


Beleza, mas eu não tenho um sentido na minha vida, então você tem que arrumar um. Porque ninguém pode te falar qual o sentido da sua vida, pois todas as vidas são diferentes. Os questionamentos feitos levam a caminhos absurdamente diferentes. Quando você conhecer o PORQUÊ da sua vida, você vai conseguir enfrentar qualquer COMO. E a partir do momento que você se sente único, e tem o peso da responsabilidade da existência nas suas costas, você é incapaz de desperdiçar qualquer momento de vida, um segundo que seja.


Beleza, então chegamos a parte fundamental. Como, pelo amor de Deus, achar um sentido para a minha vida?


É impossível um logoterapista conseguir responder essa pergunta em termos gerais. Porque o sentido da vida é diferente para cada um, dia a dia, hora a hora. O que importa não é o sentido da vida em termos gerais, mas o sentido específico da vida em determinado momento. Ele dá um exemplo com o xadrez. Se você chegar a um grande mestre e perguntar, "qual é o melhor movimento do xadrez?" Ele não vai conseguir responder, porque o movimento só faz sentido momento a momento, lance a lance. Então não existe movimento ruim ou movimento bom. E assim é o mesmo para a existência humana. A pessoa não deve buscar um sentido abstrato para a vida. Cada um tem sua própria vocação ou missão de vida para carregar e tarefas concretas a serem realizadas. O indivíduo não pode ser substituído, nem a sua vida repetida ou replicada. Então a tarefa de cada um é única e o é também a oportunidade de implementá-la.


Em cada situação a vida representa um desafio e apresenta um problema para ser resolvido. A questão do sentido da vida tem que ser feita ao reverso. Ao final das contas, a pessoa não deve perguntar qual o sentido da vida, mas sim, reconhecer que a ela é perguntado. Todo ser humano é questionado pela vida, e só ele pode responder pela sua própria vida e ele só responde sendo responsável pela resposta. Então, a logoterapia enxerga na responsabilidade a própria essência da existência humana. Ou, a famosa frase do meu amigo Marcelo Rio Branco: “A vida tem um custo e esse custo é seu”.


Então o sentido da vida vai ser descoberto na vida, no mundo, nas ações feitas e não dentro do ser humano. Você pratica ações, recebe a responsabilidade pelas suas escolhas e essas ações são refletidas em você. E podemos descobrir esse sentido de vida criando algo ou fazendo uma tarefa, experienciando algo ou encontrando alguém e percebendo a atitude que tomamos face ao sofrimento que não podemos evitar.


Bem, em resumo bem resumido é isso. Mas sugiro DEMAIS que você leia o livro, várias vezes, porque é importante para nos lembrarmos constantemente de nossa humanidade e de nossa responsabilidade perante a vida.


Muito obrigado, até a próxima, um grande abraço e boa sorte! Valeu!

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