4 PASSOS para você começar a escrever uma HISTÓRIA



O nosso cérebro é uma máquina de fazer associações, pois o que ele mais quer na vida é ter certeza das coisas. Agora… para uma história ser interessante, essa expectativa deve ser quebrada. Hoje vai ser mão na massa, pois vamos começar a desenhar a nossa história interior com quatro passos práticos e simples.



Queridos escritores e queridas escritoras, bem-vindos ao canal Ler é Verbo, nosso canal de livros e escrita. Hoje é o primeiro vídeo prático da série ESCREVER COM ALMA. Esse série é baseada no livro STORY GENIUS, DE LISA CRON. Caso você ainda não tenha assistido aos vídeos anteriores, sugiro que o faça.



Também há um PDF para você baixar e acompanhar os exercícios, aqui ESCREVER COM ALMA.


Agora vamos quebrar umas expectativas!


Como disse na introdução, nosso cérebro adora fazer associações. Nós gastamos um tempão pensando E SE, é ou não é? E se acontecer aquilo? E se acontecer daquela forma? E se acontecer de outro jeito? Nós somos sonhadores, mas esse nosso devaneio tem um propósito: Nós estamos buscando respostas para sermos capazes de sobreviver a problemas inesperados no futuro.


E uma história é uma forma de prever o futuro, prever reações viáveis sob determinadas circunstâncias inesperadas. Todas as história, mesmo as mais simples, até as mais épicas, começam com uma afirmação… e se…


É claro que muitas vezes não pensamos conscientemente nisso, mas o e se é o que catapulta a pessoa no mundo conhecido do É para o mundo desconhecido do SERÁ? E como nós escritores fazemos isso? Temos que transformar nossa vaga e frágil ideia inicial em uma poderosa pergunta E SE.


Simples, né? Basta você pegar uma ideia simples e colocar um e se na frente e fazer uma pergunta… o problema é que isso não funciona. E nesse vídeo vou mostrar os perigos de começar uma história dessa forma e o jeito correto de transformar sua ideia em um poderoso E SE.


Por que exercícios de escrita não funcionam para se escrever um livro? Por vários motivos… primeiro porque são chatos… sério… alguém tem que falar isso. Quantas vezes você já viu as sugestões: Escreva seu testamento… escreva o que você vê da sua janela… escreva o que há na mensagem achada na garrafa. Tá, beleza. Se você quer usar como exercício de escrita criativa, tudo bem. Mas achar que daí você vai escrever um livro… esquece.


Outro motivo é que esse tipo de exercício carece de mais duas coisas. A primeira é ter algo que desperte a curiosidade do cérebro, que o tire do mundo comum. E aqui entra o E SE. E se o seu testamento não fosse encontrado? E se, da sua janela, você visse o sol explodir? E se você estivesse andando em uma praia e encontrasse uma garrafa com uma mensagem dentro?Já melhora um pouco, né? Por quê? Porque um fato que te tira da rotina é melhor do que nada, mas isso, como vimos nos vídeos anteriores, é a trama. São fatos, acontecimento e a trama pela trama não leva ninguém a lugar algum, pois os fatos precisam de contexto. Então no caso da garrafa, qual o contexto? Muito diferente você ver uma garrafa com bilhete sendo uma pessoa na praia ou um náufrago em uma ilha deserta.


A surpresa naturalmente nos engaja, pois ela desafia nossas expectativas. Um padrão que foi quebrado força você, por um momento, a reconsiderar suas possibilidades e querer saber a solução do problema. Quantas vezes você está lendo um livro e não consegue largar pelo simples fato de você querer saber como a história vai acabar. Contudo, o simples fato de quebrar a expectativa não chega nem perto do real potencial de uma história.


Se nós, leitores, não soubermos o porquê, a importância daquele fato, ele não importa. Seu testamento não foi encontrado. Por quê? Será que seu cunhado sumiu com ele? Será que o mordomo é um serial killer? Percebe? Um fato por si só, com possibilidades infinitas, não é libertador, na verdade ele trava. Como vimos, nossa história, nossa criatividade tem que ser presa ao passado, ao contexto.


Então como fazer para resolver isso? Ou, como transformar um fato excepcional no começo de uma história? Bem, quando você tiver a sua questão E SE, você tem que perguntar, qual o sentido dela? Porque existe uma verdade em todos os livros, todas as histórias querem passar uma mensagem, querem provar algo, querem fazer um ponto, uma moral, um pensamento e fazem isso a partir da página um.


É a partir da finalidade da sua história que a expectativa será quebrada. A mensagem é a mudança que irá acontecer na luta interna do protagonista. O E SE centra-se na trama externa que irá desencadear essa luta, em última análise, realizando a mensagem do livro.


Essa finalidade, essa mensagem que você quer transmitir, é o que transforma um fato qualquer em um poderoso começo para trazer à vida a história. Então esses dois elementos, a finalidade da sua história e o fato não comum inicial da sua trama, são os ingredientes necessários para transformar uma ideia abstrata em algo concreto.


É claro que essa ideia em si não serve para você ter o enredo do livro pronto, não é pra isso. Mas sim para colocar você, escritor, no caminho certo para iniciar seu livro. E por isso agora vamos entrar no 1o exercício do ESCREVER COM ALMA. Para ver como eu fiz, acesse o site. Lá tem um vídeo em que faço esses exercícios junto com vocês.


Vou elaborar uma ficção contemporânea. Sei que nem todo mundo vai escrever nesse gênero, mas não tem problema, o exercício serve pra qualquer gênero literário escolhido.


Vamos começar com os 4 passos para conseguirmos nosso primeiro vislumbre de uma história.


Passo 1 - Estaca Zero.

Primeiro, se você já visualizou cenas, pedaços da trama, já até escreveu algumas páginas, um diálogo, esqueça tudo isso. Vamos voltar à estaca zero. Vamos pensar no ponto inicial, no momento em que a ideia dessa história surgiu. Qual foi a primeira ideia que veio a sua mente em relação a esta história? Se precisar dê um pause aqui no vídeo e escreva, lembrando que existe um material de apoio gratuito no site Ler é Verbo .com



Passo 2 - Por que você se importa?

Beleza, agora temos nossa primeira lembrança da ideia, nosso ponto zero, vamos pensar na seguinte questão: Por que você se importa com este assunto? Por que este assunto ficou martelando sua mente?


Em não mais do que uma página, escreva porque você se importa tanto com esta história. Não há resposta certa, tudo que vier à mente é relevante, mesmo que pareça besteira. Às vezes você pode se surpreender e descobrir que você se importa por este assunto por uma razão completamente diferente do que você imaginava. Pause o vídeo e vamos lá.


Essas perguntas são importantes porque nós, escritores, queremos comunicar algo. Alcançar outras pessoas, fazer parte do grande diálogo da raça humana… e se possível ganhar algum dinheiro no caminho, afinal também temos que comer, uma pena que não podemos viver só de livros.


Passo 3 - A mensagem.

A real pergunta aqui é: o que você deseja que seus leitores pensem a partir dessa história? Que mensagem você deseja passar com essa história?


Essa pergunta ajuda a você encarar o problema específico que essa história vai levantar e, mais importante, o que esse problema significa ao seu protagonista.


Aqui a mensagem pode parecer meio cliché, porque na maioria das vezes, quando ainda estamos em um ponto geral, quase tudo vira cliché. Como por exemplo:


“Quero mostrar que é melhor ter amado uma vez e ter perdido, do que nunca ter amado”.


Não se preocupe, o grande poder dos autores, como já disse Samuel Johnson é transformar uma coisa nova em algo familiar e transformar algo familiar em uma nova coisa”.


Então veja se consegue responder a questão acima, concisamente, em alguma linhas.


Passo 4 - Rascunhando o seu E SE.

Agora que você já descobriu a ideia pela qual é apaixonado e está armado com a sua mensagem é hora de trabalhar no fato que vai desencadear sua trama. Esse passo chama RASCUNHO por um motivo, é algo que você vai ter que trabalhar em cima até achar, mas é importante que você o faça, pois aqui reside a fundação da sua casa.


Veja, o seu E SE deve ter contexto, surpresa, conflito que leva à consequências e uma luta interna do protagonista. Ao final, você terá um texto, não para mostrar a alguém, mas que servirá a você como guia para trabalhar a sua história.


Então escreva o E SE com o máximo de detalhes possível, mas ainda conciso. Lembre-se de pensar em algo com contexto, conflito, surpresa. Em essência, tudo o que for ajudar a transmitir sua mensagem.


Bom, é isso pessoal. Espero de coração ter ajudado. Muito obrigado pela audiência, um grande abraço, boa sorte e até a próxima, valeu!

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